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Estimados
Confrades,
O Senhor lhes dê a Paz!
Nós, 174
frades representando todos os capuchinhos do mundo, nos reunimos em
Roma, no Colégio Internacional de São Lourenço
de Brindes, de 28 de agosto a 17 de setembro de 2006, para celebrar
o 83º Capítulo Geral. Deste lugar rezamos e pensamos em
vocês para partilhar, do melhor modo possível, a experiência
deste Capítulo, servindo-nos até da ajuda da moderna tecnologia.
Lamentamos o atraso da entrega do Visto ao nosso confrade fr. Francis
Nadeem, Vice-Provincial do Paquistão, fato este que o impediu
de participar do Capítulo.
Chegados ao fim dos trabalhos, agradecidos de coração
a Deus e aos irmãos, pareceu-nos bem enviar-lhes esta mensagem,
que resume um pouco o espírito, o esforço do trabalho,
os desejos explícitos ou implícitos, que caracterizaram
este Capítulo.
Frades representantes de 101 países, com sensibilidade e culturas
tão diferentes, vivemos, durante estas três semanas, uma
intensa experiência de comunhão fraterna e de unidade na
pluriformidade.
Na procura do que nos une, junto ao que enriquece a nossa Ordem, com
tantos rostos e expressões, acolhemo-nos uns aos outros com respeito
e estima, segundo a vontade explícita de São Francisco,
que considerava cada irmão como um dom de Deus.
Manifestou-se, por parte de todos, o apreço e o agradecimento
pelo serviço de animação a favor de toda a Ordem
realizado por fr. John Corriveau e pelos Definidores, durante o sexênio
passado.
De maneira unânime elegemos fr. Mauro Jöhri, novo Ministro
Geral e seus Definidores e os acolhemos com alegria como a ministros
e servos dos Irmãos que, segundo o exemplo do Senhor e de São
Francisco, nos administram “espírito e vida”,
Na agenda dos trabalhos capitulares discutiu-se ampla e profundamente
sobre a revisão das nossas Constituições. Este
trabalho será, uma ocasião privilegiada para o novo sexênio.
Ele nos empenhará a todos em reavivar a nossa vocação
e a nossa identidade de Frades Menores Capuchinhos no mundo de hoje.
Além disso, tratamos sobre a Fraternidade, elemento constitutivo
da nossa identidade, da atuação do VI e do VII CPO, da
solidariedade de pessoas, da economia fraterna, a fim de sermos e de
nos sentirmos cada vez mais uma única e grande família.
Mesmo quando tratamos dos aspectos técnicos e jurídicos
da nossa Ordem, temos consciência de termos falado de nós,
da nossa vida de irmãos, das nossas Fraternidades e de como poder
atualizar o nosso ser frades do povo, presentes hoje nos diversos continentes
no meio da gente e dos pobres do mundo.
Peregrinos em Assis, primeiro diante do túmulo de Francisco e
depois em Santa Maria dos Anjos, lugar tão querido do nosso Fundador
e berço da Fraternidade Franciscana, levamos as nossas luzes
e sombras, as nossas potencialidades e fragilidades, como Capuchinhos,
mas também as alegrias e as esperanças de cada homem,
nosso irmão. Rezamos pela paz do mundo e, de modo particular,
colocamos no coração de Francisco o grito de dor que sobe
de todas as guerras, da guerra da Líbano que o nosso fr. Maroun
Basile viveu e da qual nos informou. Igualmente acolhemos na nossa recordação
e na nossa oração as feridas e os sofrimentos daqueles
que, nalgumas partes do mundo, não têm voz nem futuro.
Em Assis professamos a nossa fé em Deus, uno e trino, fonte genuína
de comunhão e de amor fraterno. Conscientes dos nossos limites
pessoais e comunitários, renovamos a nossa obediência ao
Espírito Santo, Ministro Geral da nossa Ordem. Como opção
de família e espírito de menoridade, reafirmamos a nossa
fidelidade a Cristo, à Igreja, a Francisco e à nossa tradição
de Capuchinhos, chamados a ser peregrinos e forasteiros no mundo.
Pedimos a São Francisco o dom de um estilo de vida austero e
alegre, o espírito de oração e devoção,
a pobreza e a conversão contínua, elementos que, desde
as origens, caracterizaram a nossa Fraternidade.
Conscientes de termos recebido a missão de levar a Boa Nova a
todos as pessoas, num mundo cada vez mais globalizado e à procura
do proveito próprio a todo o custo e por qualquer meio, optamos
por continuar a guardar e a levar para a frente o sonho de Francisco,
de sermos irmãos de toda a criatura. Para tanto, comprometemo-nos
em viver a fraternidade, a comunhão, a solidariedade, a justiça
e o amor para cada pessoa e cada cultura, assim como o respeito por
qualquer religião e por toda a criação.
Durante o Capítulo tivemos a alegria da visita dos Ministros
Gerais da Primeira Ordem e da Terceira Ordem Regular, da Presidente
da CFI-TOR, da Ministra Geral da Ordem Franciscana Secular, de uma representante
das Clarissas Capuchinhas.
Assim, em comunhão com toda a Família Franciscana, dispusemo-nos
a celebrar o oitavo centenário da aprovação oral
da forma de vida de Francisco (1209), comprometemo-nos em renovar a
nossa paixão por Deus e pela humanidade, especialmente pelos
mais pobres e esquecidos, para sermos no meio deles profecia de novos
céus e nova terra.
Com gratidão, escutamos a mensagem que o Cardeal Ângelo
Sodano, Secretário de Estado, nos enviou, a pedido do Papa. Dele
nos apraz sublinhar a intuição e a inspiração
contínua de Francisco em “viver o santo Evangelho”;
“o tema da Fraternidade, como elemento constitutivo da identidade
franciscana também na nossa época” e o convite “para
que não se descuide nos membros da família dos Frades
Menores Capuchinhos o empenho para a santidade”.
Voltando para estar com vocês, queremos levar-lhes a riqueza que
vivemos neste Capítulo e, juntos, movidos pelo amor de Cristo,
queremos prosseguir o caminho. Estamos certos de que, neste caminho,
estão junto de nós Francisco e Clara, a Virgem e Mãe
Maria, Cristo Ressuscitado, esperança do mundo, que nos garante
estar sempre conosco.
Paz e Bem a todos!
Os seus confrades
reunidos no 83º Capítulo Geral.
Do nosso Colégio de São Lourenço de Brindes,
Roma, 17 de Setembro de 2006
Festas das Chagas de São Francisco
