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“Nenhum
confronto
é um destino inevitável,
nunca nenhuma guerra é natural.
A paz é irrenunciável,
também quando parece difícil
ou desesperador persegui-la”:
(Apelo pela paz ao final do Encontro
inter-religioso de oração pela Paz de Assis) |
No final
das manifestações pelos 20 anos do Encontro Inter-religioso
de Oração pela Paz, celebrado em Assis em 4 e 5 de setembro,
por iniciativa da Comunidade de Santo Egídio, os participantes
tornaram público seu Apelo pela Paz. “Homens e mulheres
de diferentes religiões se encontraram em Assis, cidade de Francisco,
santo da paz, em um momento difícil do nosso mundo, tão
cheio de tensões, conflitos, ameaças terroristas. Recordamos
a iniciativa audaz e profética de João Paulo II”,
inicia o texto, que destaca em seguida como, nesses! dias, tem sido
vivida “uma escola de diálogo” com homens e mulheres
das diversas tradições religiosas, de cultura leiga e
humanista.
“Hoje, nos recolhemos na oração segundo as diversas
tradições religiosas, convencidos do valor da invocação
a Deus na construção da paz. Mostramos como a oração
não divide, mas une: rezamos um ao lado do outro, nunca rezaremos
um contra o outro”. Os participantes do Encontro afirmam que compartilharam
os problemas e os sofrimentos de tantas pessoas no mundo envolvidas
em situações de conflito, e destacam: “Não
nos resignamos à cultura do conflito, segundo a qual o confronto
seria o êxito inevitável do futuro próximo de inteiras
comunidades religiosas, de culturas e civilizações…
A paz é irrenunciável, também quando parece difícil
ou desesperador persegui-la. Queremos ajudar todo homem e toda mulher,
quem é responsável pelos governos, a olhar novamente para
além do pessimismo, e descobrir como a esperança está
próxima se soubermos viver a arte do diálogo”.
De Assis, se relança um apelo aos fiéis das diversas comunidades
“para que rezem e operem pela paz”, empenhando-se, em particular,
para construir um diálogo “paciente, verdadeiro, razoável”.
O texto se conclui recordando que “a guerra não é
inevitável. As religiões nunca justificam o ódio
e a violência. Quem usa o nome de Deus para destruir o outro se
afasta da religião pura. Quem semeia terror, morte, violência,
em nome de Deus, deve se lembrar de que a paz é em nome de Deus.
Deus é mais forte de quem quer a guerra, de quem cultiva o ódio,
de quem vive de violência.”
No decorrer da cerimônia final do Encontro, o prof. Andrea Riccardi,
Fundador da Comunidade de Santo Egídio, interveio para agradecer
todas as intervenções e para reiterar o compromisso na
construção de uma pacífica convivência entre
culturas, religiões e povos. “A paz pode parecer hoje um
sonho de iludidos - disse Riccardi -. Assim aparece nos cenários
do Oriente Médio e não de hoje. Como também é
o caso dos graves conflitos africanos e também em algumas sociedades
onde não há paz social e onde os vários grupos
se defendem em espaços fechados. Os planos terroristas querem
mostrar a paz como um sonho impossível, alimentando a insegurança
e o medo de um inimigo sem rosto”. Diante do desencorajamento,
que pode fazer com que a paz pareça um sonho “de pessoas
incapazes de olhar de frente a realidade”, e das afirmações
segundo as quais “o conflito vem da natureza de algumas civilizações
e religiões” e é, portanto, o futuro inevitável
de todos, Riccardi destacou que “os conflitos não são
um destino metafísico. Há responsabilidades políticas,
culturais, de homens que preparam os conflitos, que escavam abissos
e deixam exasperar as guerras. Também as religiões podem
deixar-se envolver pela lógica da guerra”.
A grande tarefa das religiões, segundo a Mensagem do Papa Bento
XVI para o Encontro de Assis e retomada pelo prof. Riccardi, “é
construir a paz nos corações. Para estas, a paz, também
por meio da guerra, permanece uma aspiração irrenunciável,
o sonho de um mundo finalmente humano…As religiões têm
unido povos diversos. Podem continuar a fazê-lo e a fazê-lo
em cenários mais amplos, com braços mais largos. Hoje
a paz necessita que se aprenda a viver juntos entre pessoas diferentes...
no respeito da liberdade dos outros”.
O Encontro inter-religioso do próximo ano se realizará
em Nápoles, “a esplendida cidade mediterrânea, que
sabe acolher com calor quem quer a visite, e que tem o diálogo
e a vida com os outros no seu caráter profundo”, como disse
o Arcebispo da cidade, o Card. Crescenzio Sepe, que tomou a palavra
no final da cerimônia. “Eu o digo consciente de que Nápoles
fala ao Mediterrâneo, local onde se pode acender ou apagar tantos
conflitos. Nápoles quer ser a Europa aberta ao Mediterrâneo,
à África, ao mundo”. (S.L.) [Agência
Fides 6/9/2006]
