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Programa de Desenvolvimento Integrado
e
Sustentável da Mesorregião do Alto Solimões

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Mesorregiões Diferenciadas
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Potencialidades e Limitações
da Mesorregião do Alto
Solimões
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Infra-estrutura
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Aspectos Sócio-Ambientais
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Sustentabilidade Social
Mesorregiões Diferenciadas
O
Ministério da
Integração Nacional definiu mesorregiões, ou espaços sub-regionais
propícios ao desenvolvimento de atividades produtivas e de
cooperação, objetivando o desenvolvimento regional com eqüidade e sustentabilidade.
Este trabalho vem sendo
realizado com base em 13 Programas de Desenvolvimento Integrado e
Sustentável de Mesorregiões Diferenciadas que foram incorporados ao
Plano Plurianual 2000-2003. As Mesorregiões estão distribuidas por
todo o país, e surgem como espaços subnacionais com identidade
histórica, cultural, social e política e caracterizadas por
problemas sociais, institucionais e de dinamismo econômico comuns,
em relação às regiões onde se inserem.
O Programa de
Desenvolvimento Integrado e Sustentável da Mesorregião do Alto
Solimões (PROMESO do Alto Solimões) foi criado, portanto, com base
no reconhecimento da Mesorregião como espaço de intensificação de
problemas socio-econômicos aos quais concorrem os seguintes
agravantes:
Localização na fronteira
do país requer maior esforço para promover a coesão social, a
integração geoeconômica e o fortalecimento da identidade regional;
Isolamento físico e
funcional da região frente aos pólos de desenvolvimento do Estado do
Amazonas e do País, assim como restrições de comunicação, transporte
e energia;
Reduzido acesso dos
municípios a recursos estaduais, federais e investimentos privados.
O desenvolvimento
regional, neste contexto, somente será possível mediante a gestão
compartilhada do território, onde pensar o desenvolvimento de uma
forma integrada e sustentável significa pensar a partir do conjunto
dos municípios, e não mais de um município isoladamente. Esta
proposta desafiante implica na necessidade de criação de uma
instância catalisadora que promova o diálogo e a cooperação entre as
diferentes instâncias governamentais, visando a integração das
políticas, e que envolva a sociedade regional para participar da
construção conjunta do desenvolvimento.
A instância proposta e
apoiada pelo PROMESO é o Fórum de Desenvolvimento Integrado e
Sustentável. O fórum constitui um espaço de diagnóstico do
potencial e dos problemas da Mesorregião, de discussão,
planejamento, proposição de políticas e projetos e de
estabelecimento de estratégias e demandas conjuntas. Deve congregar
a participação do poder público, da sociedade civil e da iniciativa
privada em torno das matérias de interesse comum para a promoção do
desenvolvimento econômico e social da Mesorregião e promover a
integração das políticas públicas das diversas esferas de governo a
favor da região, visando o desenvolvimento regional, a
sustentabilidade ambiental, a integração geoeconômica e a inclusão
social.
Como elemento básico de
ação do Fórum, a elaboração de um Plano de Desenvolvimento
Integrado e Sustentável constitui a segunda linha de ação
apoiada pelo PROMESO. O Plano deve ser construído coletivamente,
estruturando objetivos e ações de curto, médio e longo prazo para o
desenvolvimento mesorregional e a articulação de demandas regionais
junto aos Governos Estadual e Federal na busca de recursos para sua
implementação.
Uma terceira ação
prioritária é a capacitação do capital humano mesorregional
com o objetivo de prepará-lo para o esforço conjunto da gestão
compartilhada e do desenvolvimento endógeno, em especial para as
tarefas de planejamento, elaboração de projetos e fortalecimento das
cadeias produtivas mesorregionais.
Outra ação apoiada pelo
Programa é a implementação de projetos piloto demonstrativos
com foco no desenvolvimento mesorregional. Constituirão uma
oportunidade para os atores locais exercitarem ações conjuntas que
promovam a integração da Mesorregião, buscando ampliar o
potencial de desenvolvimento endógeno, a realização de ações
complementares executadas em diferentes municípios e o apoio
a cadeias produtivas integradoras. Para tal, o PROMESO apóia com
suas ações de gerenciamento de projetos e de apoio ao associativismo
e cooperativismo, que devem ser ampliadas mediante parcerias com
instituições atuantes na Mesorregião.
É pela confluência destas
ações e pela força da mobilização dos atores mesorregionais que a
busca pela qualidade de vida e o desenvolvimento sustentável ganha
força na Mesorregião do Alto Solimões.
Potencialidades e Limitações
A busca de um
desenvolvimento sustentável mais amplo, atendendo às vertentes de
sustentabilidade econômica, social e ambiental é trabalho árduo e
complexo, que somente pode ser alcançado a partir do conhecimento
das potencialidades e limitações regionais e do estabelecimento de
estratégias de curto, médio e longo prazo, que passam inclusive pelo
fortalecimento institucional e a criação de mecanismos de
articulação, planejamento e execução de projetos e políticas que
levarão a este desenvolvimento.
Alguns trabalhos já
realizados e consensos alcançados no processo de mobilização dos
atores que intervêm na Mesorregião do Alto Solimões permitem traçar
um panorama geral preliminar que deverá ser aprofundado no processo
de planejamento estratégico, com o desenvolvimento de novos estudos,
com a ampliação do banco de dados mesorregional e monitoramento de
ações implementadas por diversos atores na região. Em um primeiro
momento, cabe, no entanto, destacar alguns aspectos de importância
para a Mesorregião, merecedores de um aprofundamento em etapas
posteriores.
A geração de riquezas na
região pode ser medida através do seu Produto Interno Bruto – PIB. O
PIB da Mesorregião, segundo dados do IBGE e IPEA, foi estimado em
112,8 milhões de dólares para o ano de 1985, o que corresponde a
1,4% do PIB do Amazonas. Em 1996, o PIB da mesorregião foi estimado
em 156,6 milhões de dólares, (1,6% do PIB estadual), o que
representou um crescimento do produto interno bruto de 2,9% ao ano,
durante o período 85-96. Porém, considerando o crescimento da
população no mesmo período, calculando o produto interno bruto per
capita, o crescimento torna-se negativo a uma taxa média de queda de
0,96% ao ano. Os dados mostram que no período 85-96, o PIB per
capita da Mesorregião teve taxas médias anuais de crescimento
negativo para a maioria dos municípios: Amaturá (-7,26%); Atalaia do
Norte (+0,51%); Benjamim Constant (-3,96%); Fonte Boa (-5,29%);
Jutaí (-0,41%); Santo Antônio do Içá (-4,44%); São Paulo de Olivença
(+0,02%); Tabatinga (+14,18%); Tonantins (+6,34%). Neste período, a
queda do PIB per capita da Mesorregião (-0,96% ao ano) acompanha as
taxas de Manaus (-1,93%) e do Amazonas (-1,14%). Para uma
radiografia do período 1997-2002 não se dispõem ainda de dados
oficiais publicados.
Para reverter este
quadro, a busca de potencialidades, em especial, as de natureza
endógena, melhor adaptadas aos condicionantes naturais e sociais
locais, apontam para uma diversidade muito grande de atividades,
como as relacionadas no trabalho conjunto realizado na Oficina de
Gestão Compartilhada, e de limitações ou problemas que devem ser
atacados para a melhora das condições de competitividade, de
crescimento econômico e de melhoria das condições de vida na
Mesorregião do Alto Solimões.
Cabe lembrar, no entanto,
que o processo de construção deste desenvolvimento sustentável é
continuo e novas estratégias, potencialidades e problemas ainda
serão colocados em evidência no decorrer e no aprofundamento dos
trabalhos. Dos consensos alcançados e dos indicadores elaborados a
partir do banco de dados mesorregional se apresenta, a seguir, um
panorama preliminar de potencialidades e limitações da Mesorregião e
dos municípios que a compõem, que serão insumos para os trabalhos a
serem desenvolvidos pelo Fórum de Desenvolvimento Integrado e
Sustentável da Mesorregião do Alto Solimões.

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Potencialidades e problemas identificados na
Oficina de Gestão Compartilhada (Tabatinga,
05 a 09/06/2002) |
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Potencialidades
Endógenas
· Turismo ecológico
· Floricultura e folhagens tropicais
· Agricultura familiar
· Plasticultura
· Apicultura silvestre
· Criação de quelônios e jacaré
· Criação de animais silvestres
· Fruticultura tropical
· Artesanato regional
· Cerâmica de porcelana
· Silvicultura
· Setor moveleiro
· Palmácea (pupunha, açaí, tucumã)
· Dendeicultura
· Piscicultura
· Setor pesqueiro
· Produção de plâncton
· Minhocultura
· Diversidade da flora medicinal
· Manejo florestal
comunitário
Exógenas
· Produção de ração
· Suinocultura
· Avicultura
· Criação de gado bovino e bubalino
· Associar a cultura regional ao marketing.
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Problemas
Transporte e comunicação
· Deficiência nos meios de transportes;
· Insuficiência de comunicação entre os municípios,
considerando as distâncias geográficas.
Energia elétrica
· Fornecimento insuficiente de energia;
Capacitação para o trabalho
· Insuficiência de mão de obra qualificada;
· Baixa escolaridade;
· Conhecimento restrito sobre as potencialidades do local;
Legislação fundiária
· Falta de titulação das áreas.
Deficiência do processo produtivo
· Mau aproveitamento dos recursos naturais;
· Equipamentos inadequados;
· Má qualidade dos produtos;
· Inexistência de apoio à comercialização.
Organização para o trabalho
· Deficiência na organização da força de traba lho
(sindicatos, associações de classe, etc.)
Carência de recursos
· Falta de crédito para financiamento.
Deficiências nas relações institucionais
· Falta de articulação institucional;
· Pouca participação social nas decisões de in teresse comum;
· Presença do narcotráfico;
· Êxodo rural. |
Infra-estrutura
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A localização da
Mesorregião do Alto Solimões, deslocada das redes de infra-estrutura que servem ao Estado do Amazonas cria para a região uma
situação de isolamento e de carência de infra-estrutura necessária
para seu desenvolvimento.
O rio Solimões apresenta
importância fundamental para a comunicação, com linhas regulares de
transporte fluvial tanto de cargas como de pessoas entre os
municípios da Mesorregião. No entanto, há a necessidade de melhoria
do sistema de transporte fluvial como uma das prioridades para o
desenvolvimento mesorregional uma vez que a região não é
suficientemente dotada de embarcações em quantidade e qualidade
suficientes para atender às condições de demanda de passageiros e
rapidez no deslocamento entre os municípios. |
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Dentro do sistema de
instalações portuárias do Estado do Amazonas, o porto de Tabatinga,
classificado como Terminal Hidroviário Interior, é a maior
instalação portuária da Mesorregião do Alto Solimões, responsável
pela movimentação de carga geral. Instalações menores se apresentam
em outros municípios, no entanto são rudimentares, não têm
administração específica, movimentam pequenas quantidades de cargas
e são compostas de um trapiche ou rampa, acoplados ou não a um
flutuante.
Com relação ao sistema de
transportes de passageiros que serve à região, cabe destacar a
presença do aeroporto de Tabatinga, com instalações modernas e
freqüência de vôos semanais para Manaus e outros municípios da
região. Existem, ainda, outras pistas de pouso de menor dimensão em
operação em São Paulo de Olivença e Fonte Boa, servidas por vôos
regionais.
Outro fator que merece
atenção se refere ao sistema de comunicação. A Mesorregião necessita
de um sistema de radiodifusão que permita a comunicação em escala
mesorregional, assim como o aperfeiçoamento das rádios comunitárias.
Cabe ressaltar ainda a importância da melhoria na qualidade dos
serviços de telefonia e nos novos sistemas de comunicações,
principalmente via internet, como forma de divulgação e transmissão
de dados e informações necessárias para superar as distâncias
físicas impostas pela região.
Por outro lado, a busca
do desenvolvimento sustentável deve estar amparada na possibilidade
de diversificar os produtos oferecidos pela região, em especial
permitindo a agregação de valor aos produtos oriundos do
extrativismo e da produção agroflorestal mediante o beneficiamento
dos mesmos. Para tal, a capacidade de geração de energia elétrica
instalada na Mesorregião apresenta problemas tanto na sua capacidade
como na estabilidade do sistema.
No interior do Estado do
Amazonas a energia elétrica é de competência da Companhia Energética
do Amazonas – CEAM. Na Mesorregião do Alto Solimões o sistema de
geração de energia está formado por usinas isoladas nas sedes
municipais e comunidades mais expressivas, movidas a óleo diesel
transportado desde Manaus. A potência instalada nas usinas que
atendem aos diversos municípios apresentou uma evolução marcada pela
descontinuidade, que se dá especialmente pelas dificuldades de
manutenção e reposição de peças e equipamentos.
A análise de consumo de
energia em 1999 aponta para uma concentração do uso de energia para
atender ao setor residencial, tanto em número de consumidores (85%)
como em energia consumida (51%). Os demais setores apresentam
consumo de energia baixo, sendo o setor comercial responsável por
15% do consumo e a utilização de energia para serviços públicos,
iluminação pública, administração pública e consumo próprio da usina
consomem cerca de 31% do total. O atendimento de energia para o
setor rural é ainda mais precário, sendo que muitas das pequenas
comunidades rurais não apresentam sequer instalações comunitárias
com luz elétrica. Nesse contexto merece reflexão a possibilidade de
diversificação da matriz energética regional através do uso de
fontes de energia renovável como forma de atender sobretudo as
demandas energéticas das comunidades rurais da Mesorregião.
A superação das deficiências de
infra-estrutura nas áreas de transporte, comunicação e energia se
coloca como condicionante para um desenvolvimento sustentável, tanto
em sua vertente intra-regional, como na perspectiva de sua ampliação
aos mercados estadual, regional e nacional.
Aspectos Sócio - Ambientais
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O bioma da Mesorregião do
Alto Solimões é composto por florestas do tipo ombrófila densa,
abrangendo terras baixas e aluvionares e trazendo uma enorme
riqueza na sua biodiversidade.
Como conseqüência, por um
lado, a importância da preservação ambiental na região pode ser
comprovada pelo alto percentual de superfície que corresponde a
unidades de conservação e terras indígenas. Entre as Unidades de
Conservação existentes, destacam-se a Reserva Ecológica Nacional
Jutaí e a Área de Relevante Interesse Ecológico Javari-Buriti, nos
municípios de Amaturá, Jutaí e Santo Antônio do Içá, e parte da
Reserva de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá, criada pelo Governo
do Estado do Amazonas, que tem 40% de sua extensão total pertencente
ao município de Fonte Boa. Por esta razão a Mesorregião está
incluída no "Corredor Ecológico Central da Amazônia", um projeto que
compõe o "Programa Piloto para a Proteção das Florestas Tropicais do
Brasil – PPG-7". |

Comunidade indígena em
Tabatinga.
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As terras indígenas
existentes na Mesorregião abarcam a cerca de 45,5% de sua
superfície, destacando-se a Terra Indígena do Vale do Javarí, a
terceira maior área indígena do Brasil, com aproximadamente 8,6
milhões de hectares e que ocupa cerca de 80% da superfície de
Atalaia do Norte, além de parte dos municípios de Benjamin Constant,
São Paulo de Olivença e Jutaí. Esta Terra Indígena foi apontada
também como área de extrema importância para conservação e uso
sustentável da biodiversidade amazônica por estudo coordenado pelo
Instituto Socioambiental - ISA.
Por outro lado, as
características deste bioma têm implicações diretas na vocação da
Mesorregião para o uso agroflorestal e a diversidade na qualidade
dos solos de terra firme e várzeas tem implicações diretas no seu
uso: os solos de terra firme se apresentam favoráveis para a
agricultura, no entanto com fortes limitações quanto á fertilidade
natural e riscos de impactos ambientais, deficiência de nutrientes e
acidez acentuada; os solos de várzeas, por outro lado, apresentam
alta fertilidade e baixa acidez, no entanto, seu potencial é
condicionado pela legislação ambiental que rege sua utilização (o
Código Florestal Brasileiro determina para o Estado do Amazonas o
uso de 80% da propriedade rural como reserva florestal a ser
utilizada sob forma de manejo sustentável, e de 20% para uso sob
sistemas de produção
agrícola).
As comunidades
tradicionais do Alto Solimões – indígenas e ribeirinhas - se
constituem potencialmente em principais agentes para o uso
sustentável destes recursos naturais. As comunidades indígenas,
distribuídas em 149 aldeias, estão constituídas por diferentes
grupos étnicos, tais como os Tikuna, Cocama, Caixana, Marubo, Matiz,
Kanamari, Kulina e Mayoruna. A população ribeirinha, por sua vez,
encontra-se distribuída ao longo dos rios, nas áreas rurais dos
municípios, e representam mais de 130 comunidades de distintas
dimensões. Desse modo cabe ressaltar a importância do fortalecimento
destas populações tradicionais através da organização e capacitação
das mesmas como agentes do desenvolvimento sustentável da
Mesorregião.
Sustentabilidade Social
O desenvolvimento
sustentável, além das vertentes da sustentabilidade econômica e
ambiental, apresenta a sustentabilidade social como preocupação,
medida a partir da melhoria na qualidade de vida da sua população.
Um indicador importante
desta qualidade de vida é o Índice de Desenvolvimento Humano
Municipal* (IDH-M), que permite acompanhar e avaliar as melhorias
alcançadas pelas políticas públicas municipais. O índice de
desenvolvimento humano dos Municípios da Mesorregião apresentam
valores sempre inferiores aos índices do Estado do Amazonas e do
Brasil, denotando a concentração de problemas sociais da região.
Na comparação de décadas
anteriores, pode-se observar que houve uma melhora crescente desde a
década de 70 e que, na última década, a melhoria dos indicadores
municipais permitiu que sete dos nove municípios da Mesorregião
saíssem da condição de baixo para médio desenvolvimento humano,
destacando como municípios com os melhores índices da região
Tabatinga (0,699), Benjamin Constant (0,640) e Amaturá (0,631).
Na composição deste
índice, que analisa a longevidade, educação e renda, verifica-se que
em todos os municípios da Mesorregião, o componente renda apresenta
baixo valor, em geral, inferior a 0,5 para todos os municípios da
Mesorregião, com exceção de Tabatinga (0,600). Desta forma,
verifica-se que o parâmetro renda per capita é que contribui para a
redução do IDH-M da Mesorregião, constituindo-se, portanto, o apoio
à geração de emprego e renda uma estratégia prioritária para a
melhoria da qualidade de vida da população do Alto Solimões.
Outro fator a salientar,
com implicações restritivas para o desenvolvimento mesorregional é a
deficiência na capacitação da força de trabalho e os índices de
analfabetismo, fatores de exclusão de parte da população em relação
ao mercado de trabalho e às atividades produtivas de maior
competitividade. As taxas de analfabetismo na Mesorregião são muito
superiores aos indicadores do Brasil (12,80) e do Estado do Amazonas
(15,26), prevalecendo indicadores superiores a 30 %, alcançando até
o patamar de 48% no município de Atalaia do Norte.
Portanto, um esforço
importante de melhoria das políticas públicas na Mesorregião deve
vir acompanhado também de estratégias de inclusão da população nas
atividades produtivas que receberão um impulso para o
desenvolvimento sustentável mesorregional, permitindo que sua
capacitação e organização social garanta a sustentabilidade social
ao processo de desenvolvimento econômico da região.

Fonte: Atlas do Desenvolvimento
Humano no Brasil - IPEA/Fundação João Pinheiro/IBGE/PNUD (1998);
Novo Atlas do Desenvolvimento Humano no Brasil - IPEA/Fundação João
Pinheiro/IBGE/PNUD (2002).

( * ) - O IDH-M é uma
média de três indicadores: um indicador de renda (produto interno
bruto per capita), um indicador das condições de saúde (esperança de
vida) e um indicador de condições de educação (taxa de alfabetização
de adultos). O IDH-M vai de zero a um. Quanto mais próximo da
unidade, mais desenvolvido é considerado o município. Baixo IDH-M,
inferior a 0,5; médio IDH-M, entre 0,5 e 0,8; alto IDH-M, maior que
0,8.
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