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Alto Solimões |
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O Alto Solimões, está situado a oeste do Estado
do Amazonas, abrangendo uma área de 132,195 mil km 2,
com uma população de 149.326 habitantes - 69.586 nas áreas urbanas
e 79.740 nas áreas rurais (IBGE - Censo 2.000) -
apresentando uma taxa média de crescimento anual de 3,96%. Do total
da população, 33.816 pessoas pertencem a oito etnias indígenas
originárias da região, distribuídas em 150 aldeias, representando
22,64 % da população total dos sete municípios do Alto Solimões. O
Índice de Desenvolvimento Humano (IDH-M/2000) da Região é de 0,582.
A região está inserida no centro do
maior patrimônio de florestas e rios do mundo - a Amazônia
Continental - cuja área abrange 7,902 milhões de km2, ou 44,38
% da América do Sul, com a participação dos países: Brasil, Peru,
Equador, Colômbia, Venezuela, Guiana, Suriname e Guiana Francesa.
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O bioma da amazônia brasileira é constituído por
23 ecorregiões. O Estado do Amazonas é constituído por 14
ecorregiões, que congregam os mais diversos tipos de habitats,
contendo diferentes fisionomias, estruturas e tipos de vegetação.
No Alto Solimões o bioma é composto por
florestas dos tipos Ombrófilas Densas com Dossel Emergente,
abrangendo terras baixas e aluvionares, sinalizando fertilidade e
vocação natural para o uso sustentável da biodiversidade dessas
áreas.

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Desta forma, apesar das grandes
potencialidades dos recursos naturais, o Alto Solimões carece de
empreendimentos econômicos capazes de aumentar a produção regional,
a fim de assegurar o surgimento de um sistema econômico sustentável,
que promova a geração de um maior volume de renda e de número de
empregos.
A necessidade de transformação da estrutura
social da Região e de elevação das condições de vida é
imperiosa. É necessário estender à população os recursos essenciais
básicos, tais como educação, saúde, saneamento, habitação, produção
de alimentos e exploração racional das potencialidades da terra, da
fauna e da flora a fim de ascender a níveis de renda que Ihe permita
dispor de bens de produção e de conforto.
Assim, a ocupação mais efetiva da Região
enfrenta sérios problemas cuja superação demanda tempo, determinação
e recursos, dada a existência dos seguintes fatores condicionantes:
. Grandes distâncias
e pouca expressão de produção, visto não existir um sistema
produtivo propriamente dito, pela falta de intercâmbio
sócio-econômico entre os locais de produção e os locais de consumo,
fato que, por sua vez, inibe a existência de elos consistentes de
interesses que permitam promover as bases de um sistema econômico
sustentável.
. Ampliação dessas distâncias,
devido à inexistência de sistemas de
radiodifusão, impedindo a chegada de informações sobre assuntos
gerais de interesse da população regional.
. Densidade populacional
pequena e irregularmente distribuída, dispersa ao longo das margens
do Solimões e dos igarapés e distante da pouca infra-estrutura
portuária existentes. São esses trechos economicamente inviáveis,
encarecendo as tarifas de cargas e passageiros, ao longo das vias
navegáveis. Além disso, as embarcações não são dotadas de
instalações adequadas ao condicionamento e conservação para
transporte dos produtos regionais.
. De um modo geral, o regime tradicional de
ocupação está em crise ,
seja pelas limitações impostas ao extrativismo tradicional, seja
pelo alto custo da atividade agrícola convencional, que necessita de
implantação de técnicas de manejo e correção dos solos mais
adequadas, além de uma política de fomento e crédito, numa
velocidade acima da que tem sido possível ser assegurado pelo
Estado.
Registre-se ainda que:
. De cada dez habitantes do Amazonas ,
cinco vivem na capital e de cada R$ 10,00 gerados na economia R$
9,80 saem de Manaus.
. O Estado do Amazonas
detém a maior população indígena do Brasil.
. Aproximadamente 35% do seu território
são terras indígenas ou estão protegidas por unidades de
conservação, criadas pelos Governos Federal e Estadual e ainda por
alguns Municípios;
. A extensão da linha de fronteira
adjacente ao Estado do Amazonas com o Peru, a Colômbia e a Venezuela
é de 3.611 km.
Assim, com base nesses fatores condicionantes e nos inúmeros
fatores potenciais existentes na Região, é plausível postular que
essa situação só poderá ser superada por meio da efetiva integração
das ações de desenvolvimento.
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A partir da ótica do desenvolvimento sustentado,
contando hoje com a aliança entre o conhecimento em ciência &
tecnologia e das experiências bem sucedidas nessas áreas, é factível
estabelecer diretrizes e estratégias coerentes que visem a superação
das atuais necessidades existentes na Região.
O empreendimento chave consistirá na
construção de infra-estruturas devidamente direcionadas à
exploração sustentável das peculiaridades e vocações naturais - que
deverá contar para isso, com ações integradas das diversas agências
governamentais e não-governamentias. Essas infra-estruturas, virão
ao encontro do que falta para a população, que dispõe do sol e da
chuva, da natureza diversificada, dos rios navegáveis e dos lagos
piscosos irão viabilizar a produtividade emanente da região.
Vale ressaltar que a medida que as fronteiras
produtivas avançam mais para o norte e oeste brasileiros e a redução
de custo passa a funcionar como fator básico de competitividade, as
hidrovias da Amazônia assumem a opção mais natural e econômica rumo
ao mercado do Pacífico, particularmente a hidrovia
Amazonas/Solimões.
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Portanto, o desenvolvimento sustentável do
Alto Solimões, ao ser embasado na reorientação do conceito de
desenvolvimento econômico,
terá na valorização
do homem - na sua educação e reeducação - o suporte básico para o
uso sustentável e lucrativo do potencial do seu habitat
natural.
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Fonte:
Ministério da
Defesa/Programa Calha Norte.
Plano Estratégico de Desenvolvimento Regional do Alto Solimões
(2001-2010).
Manaus: FGV/ISAE, 2000
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