Modelo de Desenvolvimento

 

Fundamentos de um Modelo
de Desenvolvimento Sustentável (síntese)

   

1. Situação Atual (a ser reorientada):

Pelo fato de não existirem elos de interesses sócio-econômicos entre o meio rural e o urbano, as comunidades rurais não conseguem colocar seus produtos excedentes nos mercados locais (sedes municipais) a um preço compensador. Este fato é responsável pelo principal elemento de desestímulo da produção, que vem impedindo a criação de um sistema econômico consistente e viável.

(Obs.: o transporte dos produtos é feito, essencialmente, através do Solimões e seus afluentes).

 

2. Situação Pretendida (1ª etapa):

Promoção de elos de interesses sócio-econômicos entre produtores rurais e empreendedores urbanos das sedes municipais, para colocação dos produtos agroflorestais nos mercados locais, após beneficiamento e agregação de valor.

 

3. Situação Pretendida (2ª etapa):

Além dos mercados locais, deverá ser promovida a colocação dos produtos no mercado amplo (regional e extra-regional).
 

A concretização dos itens 2 e 3 possibilitará a valorização conjunta do capital intra-regional, que é formado pela interação do capital individual, do capital coletivo e do capital ecológico existente no espaço físico-territorial do Alto Solimões.

Portanto, o Modelo pretende estabelecer mecanismos operacionais para a formação de ambientes sócio-econômicos vitalizados, lastreando-os ao uso sustentável dos recursos naturais e ao dinamismo que será impresso nos mercados locais, regional e extra-regional - aí incluidos os mercados dos países fronteiriços com a Região.

Nesse sentido, as ações operacionais que darão vitalidade à estratégia e à metodologia traçadas pelo Modelo, deverão ser implementadas a partir das seguintes diretrizes, que orientarão as diversas dimensões componentes do cenário futuro da Região:

A. A estrutura produtiva regional deverá ser potencializada através da reorientação do uso dos recursos naturais, tendo nas técnicas de sustentabilidade ambiental os meios de promoção do desenvolvimento. Serão priorizadas as atividades voltadas para:

Extravismo florestal sustentável.

Agricultura de ciclo curto.

Desenvolvimento das atividades da pesca.

Aproveitamento da Biodiversidade (bioagroindústria : indústria far macêutica e cosmética).

Desenvolvimeto do Turismo Ecológico.

B. O direito sobre a terra (regularização fundiária) atuará como fator concreto ao uso sustentável dos recursos. Prioritariamente, deverão ser regularizadas as áreas já em uso - sejam áreas de uso recente, sejam de uso mais antigo. A medida visará: a) desestimular à expansão desordenada; b) preservar a biodiversidade das áreas ainda não usadas.

C. Deverão ser estabelecidos elos de Interações sócio-econômicos entre as populações urbanas e rurais, que atuarão sob a forma de cooperativas de agro-negócios de produtos amazônicos (ancorados na grife "Produto da amazônia"): as populações rurais serão reeducadas e qualificadas para a semeadura/coleta/captura e parte do beneficiamento dos produtos, enquanto que as populações urbanas serão qualificadas para o beneficiamento final e comercialização, havendo nessa interação estuante, agregação de valor.

Além da grife AMAZÔNIA, a qualidade (adoção do Selo Verde / ISO 14.000) e o preço adequado dos produtos acabados (determinação das Cadeias Produtivas), deverão atuar como fatores de relevância e diferenciação nos mercados.

D. Em termos de atividades produtivas, serão priorizadas aquelas cujos produtos apresentam potencial de aceitação nos mercados local, regional e extra-regional, de acordo com os quadros das páginas 30 e 31.

Para esas atividades e para esses produtos serão direcionadas ações integradas de sustentabilidade, com vistas a reeducar, reorientar, redimensionar e requalificar todos os atores e coadjuvantes componentes da sistema produtivo.

E. Em termos geográficos, o componente tático consistirá em atuar, nos primeiros anos, preferencialmente, nas comunidades rurais mais importantes e/ou mais próximas das sedes municipais, beneficiando, inicialmente um total de 70 comunidade rurais (34.000 habitantes/6.800 famílias), além das sedes municipais (69.586 habitantes/14.500 famílias). As demais comunidades rurais serão atendidas a partir de 2.004.

(Estes números poderão ser flexibilizados na medida em que o monitoramento e avaliação das ações assim justificarem.

Nesse sentido, o fator flexibilidade deverá estar presente nas diversas ações do Plano, sempre que se fizer necessário).

F. Os investimentos governamentais deverão ser reorientados gerencialmente com vistas a dinamizar, de forma integrada, as ações dos seguintes setores:

Infra-estrutura Social: educação, saúde, saneamento, habitação, regula- rização fundiária, promoção e inclusão social.

Infra-estrutura Econômica: qualificiação profissional através da reeducação para o uso sustentável dos recursos naturais da região, ciência e teconologia.

Infra-estrutura Física Básica: transporte, energia, comunicações e equipamentos de uso comum;

Infra-estrutura Institucional: serviços e equipamentos governamentais, fomento e crédito.


 

Obs: embora o presente modelo tenha sido elaborado com base no ambiente sócio-econômico da região do Alto Solimões, o mesmo poderá ser aplicado, com as devidas adaptações, em regiões que necessitem da criação de elos de interações sócio-econômicas, com vistas à implantação do processo de desenvolvimento integrado e sustentável.

A ilustração abaixo, por exemplo, representa a aplicação do modelo nas regiões do Estado de Roraima onde predomina o transporte por estradas:

A implantação de elos de interesses sócio-econômicos, entre produtores rurais e empreendedores urbanos, possibilitará melhor colocação dos produtos ("in natura" e beneficados) no mercado local, suprindo, num primeiro momento, as demandas da merenda escolar e da população em geral.

Num segundo momento, além do mercado local, deverá ser promovida a colocação dos produtos nos mercados regional e extra-regional.

Nesse sentido, a ação pretende estabelecer concretos mecanismos operacionais para a formação de ambientes sócio-econômicos vitalizados - tanto na zona rural quanto na zona urbana - lastreando-os ao uso sustentável dos recursos naturais e ao conhecimento do potencial de consumo dos mercados local, regional e extra-regional - aí incluídos os mercados dos países fronteiriços.

 

 

Modelo desenvolvido em 1999 pelo Prof. Sérgio Figueiredo (CREA 045-D/20ªR)
da Universidade Federal do Amazonas e Consultor
da Fundação Getúlio Vargas/Instituto Superior de Administração e Economia,
para o Programa Calha Norte, do Ministério da Defesa,
contando com o apoio logístico da Diocese do Alto Solimões.

 

 

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