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Artigos Técnicos
& Parcerias |
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- O Setor
Pesqueiro
- Pisciultura
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Fruticultura
- O Setor
Florestal
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O Setor Pesqueiro
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A
pesca, atividade tradicional no Alto Solimões esteve sempre apoiada
no enorme potencial natural da região, tanto na qualidade e
quantidade das reservas hídricas representadas pelos seus rios e
lagos, quanto pela presença de espécies nativas adaptadas às
condições locais e com forte demanda comercial. No entanto, a
necessidade de inserir técnicas sustentáveis do ponto de vista
econômico e ambiental para o setor pesqueiro se faz mais eminente
pela redução dos recursos naturais e pela perda da produtividade do
setor, ocasionada pela utilização de técnicas predatórias e pela
falta de organização no setor.
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O setor pesqueiro pode
constituir-se, portanto, em forte potencialidade para a Mesorregião,
desde que estratégias e políticas coerentes se desenvolvam com base
em quatro sub-setores: a inserção de técnicas que busquem a
sustentabilidade e competitividade nos sub-setores de pesca e
aqüicultura (em especial da piscicultura) como base para a produção
de matéria prima com qualidade e quantidade compatível com a demanda
existente; o apoio ao sub-setor da indústria de transformação do
pescado, permitindo o aproveitamento de valor agregado e dando
diversidade e qualidade à matéria prima local; e apoio à
comercialização, visando o mercado interno e externo, organizando
produtores e demais agentes do setor e combatendo práticas nocivas e
ilegais que não contribuem para o crescimento econômico da
Mesorregião.
As atividades do setor,
somados os esforços nas áreas da pesca e piscicultura, poderão
contribuir para a geração de emprego para a mão de obra ociosa da
região, melhorando a renda tanto nas atividades de captura e
produção como nas de transformação e comercialização, e permitindo
que diferentes extratos da população, tanto as de origem rural -
como ribeirinhos e indígenas - como nas urbanas, se inicie um
processo de inclusão social com competitividade e eqüidade.
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Piscicultura*
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Na Região Norte do Brasil
o clima Equatorial – quente e úmido – caracterizado por elevados
índices pluviométricos, de 1.500 mm a 2.600 mm anuais, bem
distribuídos ao longo do ano, com temperaturas elevadas, variando de
24ºC a 30ºC e elevada umidade do ar, favorece a exploração agrícola
racional e auto-sustentável. |
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O Estado do Amazonas
compreende 1,577 milhões de quilômetros quadrados, onde se engloba a
Mesorregião do Alto Solimões com 214 mil quilômetros quadrados,
formada por nove municípios, e onde 80% das áreas devem ser mantidas
recobertas por florestas, tendo como única alternativa legal o uso
sustentável.
Considerando,
principalmente, as características climáticas, a baixa fertilidade
natural dos solos, a heterogeneidade do revestimento florístico e as
interações ecológicas reinantes na região amazônica como um todo,
deduz-se que grande parte dessa imensa área esteja destinada a
cultivos de ciclo longo.
Na Mesorregião do Alto
Solimões, a economia é baseada na pesca e no extrativismo de
madeira, borracha, castanha e na agricultura de subsistência
(mandioca, arroz, milho, feijão e frutas regionais). Os plantios das
comunidades ribeirinhas e indígenas são baseados quase que
exclusivamente na cultura da mandioca, observando-se uma carência
muito grande por outros alimentos, tanto em valor nutritivo como de
fonte de renda. A fruticultura é apontada como uma das alternativas
viáveis de produção agrícola, para a região, principalmente se
considerarmos alguns aspectos relevantes, como: possibilidade de
aumento da renda familiar e melhoria da dieta alimentar; aumento da
oferta de frutas nos centros urbanos, e a possibilidade de
desencadear o processo de desenvolvimento agroindustrial.
Algumas espécies
frutíferas têm importância fundamental para as comunidades
ribeirinhas e indígenas, como é o caso da banana. Outras têm o seu
potencial conhecido, porém, ainda, pouco desenvolvido, como:
cupuaçu, cacau, pupunha, abacaxi, citros, maracujá, castanha e o
açaí. E algumas têm potencial pela sua popularidade, como abiu,
biribá, mapati e sapota. As palmeiras, como açaí, tucumã, bacaba,
patauá e pupunha, são recursos importantes para as comunidades, como
fonte de alimento e matéria-prima para suprir suas necessidades
básicas de sobrevivência. Fornecem tronco e folhas para a construção
de casas, cercas, armas, redes e os mais variados utensílios
domésticos e ornamentais.
Do ponto de vista
sócio-econômico a produção regional apresenta baixo valor agregado,
é desorganizada, carecendo de estrutura de beneficiamento,
conservação e transporte. Em função da importância econômica,
ambiental e social da fruticultura no Estado e na região, é
necessário a implementação de ações que visem a organização da base
da cadeia frutícola, ou seja, de treinamento e capacitação para se
desenvolver tanto competências produtivas como gerenciais dos
sistemas produtivos, buscando padrões de qualidade e competitividade
como forma de fomentar esse agronegócio, visando a segurança
alimentar, o desenvolvimento sustentável e a melhoria de qualidade
de vida das populações.
(*) Texto elaborado por
Rosângela dos Reis Guimarães,
da Embrapa Amazônia Ocidental
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Uma parceria entre a Embrapa
Amazônia Ocidental, Instituto de Desenvolvimento Agropecuário do
Amazonas (IDAM), Diocese do Alto Solimões e Prefeitura de Benjamin
Constant permitiu a distribuição de 209.100 alevinos de Tambaqui (Clossoma
macropomun) nos seis municípios (Benjamin Constant, Tabatinga, São
Paulo de Olivença, Amaturá, Santo Antônio do Içá e Atalaia do
Norte), onde já existem instalações aptas à criação de peixes. Estes
peixes foram criados obedecendo a orientações técnicas da Embrapa e
IDAM, oportunidade em que foram introduzidas várias práticas de
manejo até então desconhecidas dos produtores daquela região, quando
também foram realizados treinamentos para estes produtores.
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Fruticultura*
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Na Região Norte do Brasil
o clima Equatorial – quente e úmido – caracterizado por elevados
índices pluviométricos, de 1.500 mm a 2.600 mm anuais, bem
distribuídos ao longo do ano, com temperaturas elevadas, variando de
24oC a 30oC e elevada umidade do ar, favorece a exploração agrícola
racional e auto-sustentável.
O Estado do Amazonas
compreende 1,577 milhões de quilômetros quadrados, onde se engloba a
Mesorregião do Alto Solimões com 214 mil quilômetros quadrados,
formada por nove municípios, e onde 80% das áreas devem ser mantidas
recobertas por florestas, tendo como única alternativa legal o uso
sustentável.
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Considerando,
principalmente, as características climáticas, a baixa fertilidade
natural dos solos, a heterogeneidade do revestimento florístico e as
interações ecológicas reinantes na região amazônica como um todo,
deduz-se que grande parte dessa imensa área esteja destinada a
cultivos de ciclo longo.
Na Mesorregião do Alto
Solimões, a economia é baseada na pesca e no extrativismo de
madeira, borracha, castanha e na agricultura de subsistência
(mandioca, arroz, milho, feijão e frutas regionais). Os plantios das
comunidades ribeirinhas e indígenas são baseados quase que
exclusivamente na cultura da mandioca, observando-se uma carência
muito grande por outros alimentos, tanto em valor nutritivo como de
fonte de renda. A fruticultura é apontada como uma das alternativas
viáveis de produção agrícola, para a região, principalmente se
considerarmos alguns aspectos relevantes, como: possibilidade de
aumento da renda familiar e melhoria da dieta alimentar; aumento da
oferta de frutas nos centros urbanos, e a possibilidade de
desencandear o processo de desenvolvimento agroindustrial.
Algumas espécies
frutíferas têm importância fundamental para as comunidades
ribeirinhas e indígenas, como é o caso da banana. Outras têm o seu
potencial conhecido, porém, ainda, pouco desenvolvido, como:
cupuaçu, cacau, pupunha, abacaxi, citros, maracujá, castanha e o
açaí. E algumas têm potencial pela sua popularidade, como abiu,
biribá, mapati e sapota. As palmeiras, como açaí, tucumã, bacaba,
patauá e pupunha, são recursos importantes para as comunidades, como
fonte de alimento e matéria-prima para suprir suas necessidades
básicas de sobrevivência. Fornecem tronco e folhas para a construção
de casas, cercas, armas, redes e os mais variados utensílios
domésticos e ornamentais.
Do ponto de vista
sócio-econômico a produção regional apresenta baixo valor agregado,
é desorganizada, carecendo de estrutura de beneficiamento,
conservação e transporte. Em função da importância econômica,
ambiental e social da fruticultura no Estado e na região, é
necessário a implementação de ações que visem a organização da base
da cadeia frutícola, ou seja, de treinamento e capacitação para se
desenvolver tanto competências produtivas como gerenciais dos
sistemas produtivos, buscando padrões de qualidade e competitividade
como forma de fomentar esse agronegócio, visando a segurança
alimentar, o desenvolvimento sustentável e a melhoria de qualidade
de vida das populações.
(*) Texto elaborado por
Rosângela dos Reis Guimarães,
da Embrapa Amazônia Ocidental.
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Foram construídos dois
viveiros, um em Tabatinga e outro em Santo Antônio do Içá, nos
quais dois técnicos capacitados pela Embrapa serviram de
multiplicadores e condutores do trabalho nas comunidades. A
Diocese do Alto Solimões e a Secretaria de Produção de Santo
Antônio do Içá coordenaram a seleção de comunidades rurais e
indígenas para sua capacitação por meio de aulas teóricas e
práticas.
Como resultado, foram distribuídas 29.491
mudas de fruteiras em Tabatinga, 13.000 mudas em Santo Antônio do
Içá, 29.878 mudas em São Paulo de Olivença e 5.124 mudas em
Benjamin Constant. Entre as fruteiras distribuídas estão: banana,
mamão, açaí, pupunha, bacaba, cupuaçu, sapota, fruta pão,
graviola, araçá boi e acerola.
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O Setor Florestal*
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Cerca de 76,2 % da área
territorial da Mesorregião do Alto Solimões perten- ce a terras
indígenas. O volume de madeira explotável(1) existente na fração
restante, corresponde a 38.474.429,4 m3, equivalente a U$
2.693.210.058,00. Só existem pequenos empreendimentos na região
consumindo de um mínimo de 100 a 2.000 m3/ano. De acordo com
levantamento realizado pelo IPAAM, existem cerca de 216 atividades
de base florestal madeireira: dezessete serrarias, sessenta e três
movelarias, 136 autorizações de desmatamentos para uso alternativo
do solo e dois planos de manejo sustentável - um paralisado e outro
comunitário. O município que possui maior número de serrarias é o de
Jutaí – 5 e, Tabatinga a maior concentração de movelarias – 11. |

Samaumeira
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Nenhuma das atividades
madeireiras desta região está Licenciada Ambientalmente. Grande
número dos empreendimentos sequer tem personalidade jurídica
constituída.
A direção dos
empreendimentos possuem formação entre elementar a média. O setor
madeireiro ocupa 8. 838 pessoas no Alto Solimões, sendo 1.473 nas
cidades e o restante na floresta. O setor moveleiro é quem mais
pessoas emprega na região por unidade de produção.
O setor madeireiro vem
reduzindo drasticamente suas atividades. Nos últimos 4 anos, houve
decréscimo em 68% dos postos de trabalho, os quais, aparentemente,
foram parcialmente absorvidos pelo setor de MotoTaxi e tráfico de
drogas.
São utilizadas 30
espécies madeireiras: Mogno; Andiroba; Angelins; Cedros; Copaiba;
Jitó; Jacareúba; Louros; Massaranduba; Macacaúba; Marupá; Muiratinga;
Mulateiro; Puxiri; Sucupira; Sumaúma; Virolas são as espécies mais
consumidas. Este levantamento, agregando os valores declarados do
consumo de cada unidade visitada, chegou a um volume em tora de
101.318 m3/ano.
A madeira normalmente
produzida por inúmeras comunidades rurais provém das várzeas dos
rios Javarí, Curuça, Jaquirana, Solimões, Acuruí, Maraíta, Jutaí,
resultante, principalmente, de desmatamentos, muitos não
autorizados. A forma de abastecimento em sua grande maioria tem se
dado através de pranchas de moto-serra transportadas em "canoãos".
As jangadas com toras fazem parte do passado.
O preço da madeira em
média/m3 é de R$ 60,00 a tora e de R$ 150,00 o serrado. A principal
dificuldade para abastecimento de matéria-prima se deve a falta de
capital de giro – em torno de R$ 3.500.000,00/ ano para toda a
região.
O motivo mais comum para
não existência de Planos de Manejo Florestal Sustentável, foi
apontado pelos empresários do Alto Solimões, como a falta de
energia, capital, documentação fundiária e áreas para elaboração de
planos de manejo frente ao grande número de áreas indígenas.
A produção é apenas para
abastecimento local, e o principal empecilho para o desenvolvimento
do setor, paradoxalmente, é a falta de matéria prima, resultante da
falta de assistência técnica .
Só em desperdício, as
indústrias do Alto Solimões perdem em torno de R$ 730.000,00 por
ano. Devido a alta capacidade ociosa, a região deixa de faturar R$
25.000.000,00 por ano.
As máquinas em sua grande
maioria já estão obsoletas, não permitindo conquista de mercados
mais dinâmicos. Os empreendimentos não realizam tratamento químico
nem secam a madeira processada. Na região existe apenas uma estufa,
paralisada. Por outro lado a exploração florestal se faz de modo
tradicional causando forte impacto ambiental. Não existe nenhuma
atividade de reposição florestal.
Os resíduos das
madeireiras são doados para padarias, olarias, construção de cercas
e carvoejamento. A serragem em 86% das empresas é depositada nos
rios, juntamente com o lixo doméstico e águas servida, acarretando
significativo impacto ambiental.
Estima-se que a
comercialização de produtos acabados pelas indústrias gerem uma
receita equivalente a R$ 4.995.000,00 por ano. Não existe qualquer
tipo de incentivo para indústria madeireira na região, no que pese
ser o setor mais adaptado ambientalmente.
O destino que se dará ao
grande potencial econômico madeireiro do Alto Solimões, será uma das
maneiras de retirá-lo da condição de umas das 13 regiões mais
empobrecidas do Brasil. Como demonstrado pelo levantamento, pequenos
investimentos em energia, p&d, educação e tecnologia de processo e
produto florestais levariam forçosamente a capacidade instalada sair
dos atuais R$ 4.300.000,00 / ano para possíveis R$ 27.000.000,00/
ano. Caso se melhorasse o processo industrial é fácil aduzir o
extraordinário desenvolvimento local com mínimo impacto ambiental
que a região experimentaria.
1 O volume de madeira
explotável para cada município foi determinado a partir da
multiplicação da área explotável pelo coeficiente de explorabilidade
regional (Jansen et all,2002.Levantamento Madeireiro do Municípios
de Atalaia do Norte, Benjamim Constant, São Paulo de Olivença e
Tabatinga. Ed. SEBRAE – AM. Manaus. 225 p).
(*) Texto elaborado por
Virgílio Viana,
Secretário de Meio Ambiente e do Desenvolvimento
Sustentável do Estado do Amazonas.
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